06/08/2017

Como um garoto que cresceu sofrendo bullying no Maranhão se tornou Pabllo Vittar


A drag Pabllo Vittar de férias em Fernando de Noronha

Phabullo Rodrigues da Silva, 22, conhecido como Pabllo Vittar, descreve-se como "fluido de gênero": "Sou drag queen só quando tem que ser. É igual a chapéu: coloco e tiro na hora em que preciso. Não sou drag 24 horas. Eu amo ser Pabllo desmontado e sair de camisa e boné na rua."

Mas é na personificação da drag queen Pabllo Vittar que ela tem chamado a atenção do público, da crítica e de artistas. Suas músicas dançantes figuram no topo das paradas de streaming, como Deezer e Spotify, além do YouTube, onde tem mais de 160 milhões de visualizações.

Em pouco mais de um ano, a cantora viu sua agenda lotar, seu cachê saltar de R$ 2.000 para R$ 50 mil (leia mais abaixo) e sua persona se tornar símbolo LGBTQ.

Nascido em São Luís (MA), Phabullo é gêmeo de Phamella e tem outra irmã, Pollyana Rodrigues, um ano mais velha. Filho da enfermeira Veronica, não conheceu seu pai, que abandonou a mãe ainda grávida. "Acho que tudo tem um motivo. Minha mãe foi tudo para mim. Não fui aquela criança que ficava triste no Dia dos Pais."



Para sustentar a família, Veronica trabalhava em dois hospitais, por isso Pabllo a via muito pouco. "Tenho muito orgulho porque a bicha sofreu para criar a gente, mas nunca desistiu. Sempre sorrindo, sempre feliz. Tenho muito isso dela, a garra."

A drag diz que a figura paterna é representada por seus empresários –Yan Hayashi e Leocadio Rezende. A carreira começou a engatar em outubro de 2015, com o lançamento de "Open Bar", versão em português feita pela cantora de um dos hits daquele ano, "Lean On", do trio americano de música eletrônica Major Lazer.




A ascensão também tem a mão do produtor musical Rodrigo Gorky, do Bonde do Rolê, que já trabalhou com Luiza Possi e Banda Uó. "Gorky me seguia na internet. Esse safadinho. Ele é amigo do meu 'pai', que era produtor de festas. Um dia ele viu um vídeo meu na internet e assim criamos 'Open Bar'."

"K.O."

Nômade



Ainda bebê, Pabllo foi viver em Santa Inês, cidade do interior do Maranhão com pouco mais de 83 mil habitantes. Na adolescência, a família se mudou para Caxias, também no Maranhão, onde a drag passou a imitar cantoras como Beyoncé, sua diva –no início, ela assinava Pabllo Knowles.

A irmã mais velha o defendia na escola sempre que ele sofria algum tipo de bullying. "Sempre fui 'oh my gosh' [delicada], mas na minha, quietinha. Quando alguém mexia comigo, a Pollyana partia para cima. Ninguém podia olhar torto. Ela era ciumenta. Bateu em um menino porque ele me chamou de maricas. Deu uma surra nele. Bem feito."



Apesar de nunca ter apanhado, a cantora diz que já viraram um prato de sopa sobre ela na fila da merenda. "Acho que ele ficou no recalque, na masculinidade dele, aí virou a sopa em mim. Hoje, falo sobre isso na maior tranquilidade, porque superei essas coisas."

Aos 15 anos, Pabllo contou à mãe que era gay ao levar um namorado para dormir em casa. "Foi tranquilo, ela já sabia. Era de boa porque Pollyana também é gay. Nunca fomos privados de nada." Pouco tempo depois, a família se mudou para Indaiatuba, no interior de São Paulo, onde Pabllo trabalhou em várias redes de fast-food e em salões de cabeleireiros.


Pabllo Vittar se tornou um dos maiores fenômenos da música pop (Fotos: / Divulgação/Instagram)
Dois anos depois, a família fez as malas novamente, desta vez para Uberlândia (MG), após o casamento da mãe. É lá que Pabllo pretende seguir vivendo: acaba de comprar um apartamento de 50 m².

Folha de S. Paulo

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