24 de nov de 2017

Após Flávio Dino questionar operação da PF, membros do governo prometem colaborar com investigações



Quatro pessoas foram ouvidas nesta quinta-feira (23), na Superintendência da Polícia Federal, em São Luís, dando sequência à “Operação Pegadores”, que investiga desvios de recursos públicos federais na Saúde do Maranhão. Entre as quatro pessoas que foram à sede da PF, ainda pela manhã, estão Rosângela Aparecida Barros Curado, que conseguiu habeas corpus nessa quarta-feira (22), e Mariano de Castro Silva, que continua preso. Representantes do Governo do Maranhão também foram à superintendência depois que o governador Flávio Dino lançou, em redes sociais, questionamentos sobre à investigação policial.

Estiveram na Superintendência, os secretários Carlos Lula (Saúde), Marcelo Tavares (Casa Civil), Rodrigo Lago (Transparência) e o procurador do Estado, Rodrigo Maia.
"Eu, o secretário Marcelo Tavares, o secretário Rodrigo Lago e o procurador-geral Rodrigo Maia estivemos há pouco na Polícia Federal em visita de cortesia à superintendente. 

O Governo está à disposição para colaborar com as investigações", disse Carlos Lula.
A Polícia Federal revelou parte das investigações, que mostraram que Carlos Lula tomou conhecimento do esquema criminoso que desviou dinheiro público de hospitais do estado ainda em 2015. Escutas telefônicas foram utilizadas.

O chefe da Casa Civil também se manifestou sobre a ida à Polícia Federal e o discurso foi parecido com o do secretário de Saúde.

“Só viemos colocar o Governo à disposição para quaisquer esclarecimentos. Essa é a nossa missão aqui hoje e nos colocamos à disposição da Polícia Federal para esclarecer os fatos devidamente", declarou Marcelo Tavares.

Esta semana, o governador Flávio Dino chegou a questionar a operação da Polícia Federal em rede social.



Declarações de Flávio Dino em rede social sobre  Declarações de Flávio Dino em rede social sobre 

“Até o presente momento não chegou ao nosso Governo a suposta lista de ‘400 fantasmas’ que existiriam na Secretaria de Saúde em 2015. Queremos a lista para ajudar a apurar a alegação. Já requeremos oficialmente 2 vezes e nada. Um delegado da Polícia Federal afirmou ao país que havia essa lista de ‘400 fantasmas’ em 2015 e nós queremos apurar administrativamente. Onde está a lista? Investigações não podem ser conduzidas como peças políticas ou puramente midiáticas. Inventaram uma sorveteria ‘jocosa’. Será que a lista de ‘400 fantasmas’ também foi inventada? A linha do nosso governo sempre foi e continua a ser de colaborar com todas as investigações sérias e isentas. Por isso queremos a lista. Para ajudar a esclarecer a verdade, qualquer que seja ela”, afirmou o governador em suas redes sociais na terça-feira (21).

Entenda a investigação

A "Operação Pegadores" é continuação da "Operação Sermão aos Peixes" e segundo a PF, durante as investigações conduzidas em 2015 foram coletados indícios de que servidores públicos que exerciam funções de comando na Secretaria de Estado da Saúde naquele ano montaram um esquema de desvio de verbas e fraudes na contratação e pagamento de pessoal.

As investigações indicaram a existência de 424 pessoas que teriam sido incluídas indevidamente nas folhas de pagamentos dos hospitais estaduais sem a prestação de serviços às unidades hospitalares. Os beneficiários do esquema eram pessoas indicadas por agentes políticos: familiares, correligionários de partidos políticos, namoradas e companheiras de gestores públicos e de diretores das organizações sociais.

O montante dos recursos públicos federais desviados por meio das fraudes chega a R$ 18.345 milhões. Contudo, segundo a Polícia Federal, o dano aos cofres públicos pode ser ainda maior, pois os desvios continuaram a ser praticados mesmo após a deflagração de outras fases da Operação Sermão aos Peixes.

A relação entre a administração pública e terceirizadas foi usada para viabilizar os desvios, como apontou a PF no relatório da operação.

G1

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